efeitosecundários

20.6.11

Acabou. Tudo isto era algo que no principio ninguém esperava que viesse a acontecer, no entanto a consistência de um sonho leva a que ele deixe de ser um sonho. Não é mesmo? E digo: não foi uma ideia louca foi ideia de uma louca!
Suponho que amar é estimar, dedicar, ter devoção. Vida é existência efectiva. Morte é ter estado e já não estar. Viver é permanecer. Morrer é enfraquecer.
Vês? Não é bonito, mas por enquanto ainda estou viva e a única coisa importante a fazer é chegar. Regresso. Uma ultima tentativa neste sitio onde nos encontramos, deste lado onde estão os vivos. Tenho medo de não acabar e chegam outra vez juras de gratidão para toda a vida.
Pluf, somem-se num espaço triangular com uma musica que nunca consegui fixar. Gritos de desespero por quem não aparece. Nunca tive sonhos assim, terríveis.
Tudo se supera, se constrói, estou feliz e agora tudo podia acontecer sem eu saber. É importante que me mantenha neste estado de graça: ver, ouvir e não calar. O mundo está nas nossas mãos. Assusto-me com o que vejo e entro em casa com alegria. Temos a mania de romantizar tudo, mesmo o que não merece. E foi, até ao ultimo instante assim.
Tanto tardou a chegar que me perguntei: e se eu fosse até lá? E fui. Além de mais não havia nada a perder. Segunda, quinta, hoje. Serenidade. Horas que passam rapidamente, dias que não acabam. E porque teria de mudar? Já me sinto uma sobrevivente. Mata-me pois deixei de ter uma confiança no futuro como a tua, impressionante. Não tenho nada de que me arrependa. Se tivesse morrido antes… enfim. Mata-me pois não tenho medo de morrer.
Não sabemos, nunca sabemos. São medos que temos sem querer. Tempo. Vida. Morte? Nunca tive nem chego a ter esse medo.

A inutilidade da vida é não conseguirmos fazer dela mais do pouco que é.

Já não conheço ninguém. Mas isso não muda a realidade. É nascer, viver e morrer. Um dia desaparece o sol e acabou, o universo nem saberá da nossa existência. O mundo necessita de ser falado e nós também.
Fim

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